terça-feira, 19 de julho de 2011

As lembranças saltam como pipocas e agora preciso ordenar de forma cronológica

De repente já estou no Brasil, na época em que Getulio Vargas se foi no ano de 1954, me recordo da comoção geral que assisti enquanto morava num setor da Fazenda Amália, próximo a Santa Rosa do Viterbo no interior de São Paulo.
Hitler era um ditador e  Getúlio, de forma diferente, também  era. Porque será que política e governo se alicerçam sobre montes de cadáveres?

Estou ficando lisonjeada com aqueles que me seguiram até agora, agradeço humildemente e prometo me organizar o mais breve possível.

domingo, 3 de julho de 2011

Me esqueci de contar que minha mãe, prestes a me dar a luz , no dia 31 de dezembro de 1922,

Me esqueci de contar que minha mãe prestes, a me dar a luz , no dia 31 de dezembro de 1922, não quis ir a uma  festa de confraternização  com os vizinhos e amigos  para chegada do Ano Novo. Meu  pai prometeu que não ficaria fora por muito tempo.


Pois é, não deu tempo, quando chegou em casa, logo após a meia noite eu já havia nascido, minha mãe se arranjou sozinha.
Até hoje penso  que se tivesse esperado mais um pouquinho, minha data de nascimento seria 1923 , ou seja 1 ano amenos do que parece a primeira vista  e mais ainda ganharia 2 presentes. Não que eu não ganhe presentes durante o ano,  más,  Natal e aniversário vem quase sempre  num só pacote .

Éramos  6 , meus pais, meu irmão Cees e eu nascidos em s´hertogenbosch,  Jan e Rick  nascidos em Nuenen.
Rick, a caçula ficava sob minha responsabilidade quando estávamos longe da mamãe. As vezes, no inverno,  o vento soprava tão forte que minha mãe a amarrava na minha cintura para que ela não levantasse vôo. Rick tinha um carrinho de boneca e dentro dele, apesar de ter boneca, tinha uma galinha vermelha bem gorducha com cobertinha em cima que fazia :-cró, cró, cró. Confesso que as vezes me irritava com esta incumbência de pajem da minha irmãzinha tão diferente de mim,  muito delicada, cabelinhos louros, pela tão branquinha, quase transparente.

A nossa infância foi segura,  sem medo, com  confiança total nos nossos pais. Quando eu comecei estudar em Eindhoven estranhei muito com a maneira dos meus colega, a gente não tinha malicia,  éramos criados de forma muito singela e pura.



A minha mãe, mevrouw Verhoeven, dedicava a maior parte de seu tempo cultivando a chácara junto com um ajudante e desta forma contribuía para aumentar a renda familiar, Eram frutas, verduras e legumes, bem como alguns animais de pequeno porte,  graças a isto  tivemos uma reserva de alimentos, no período da ocupação alemã. Eram  batatas, cenouras , beterrabas, maçãs, peras,  cerejas....  conservadas, apesar da temperatura abaixo de zero, em covas cobertas de palha e terra, durante a guerra ficavam num canto  escondido da chácara .  As compotas e conservas guardadas atrás de uma parede falsa dentro do celeiro.


Neste período  tudo  tinha que ser escondido, mesmo assim os alemães “MOFFENS” como nós os chamávamos, confiscaram o porquinho, galinhas e coelhos, que minha mãe criava. Tudo era levado para a Alemanha, para alimentar as tropas do exército.
Os vizinhos tinham o hábito de trocar parte da colheita entre si bem como  contribuíam para as famílias vizinhas mais carentes da redondeza . Tínhamos uma variedade grande de alimentos. Meu pai , que trabalhava na Philips, esporadicamente convidava amigos do trabalho que vinham com suas famílias e voltavam para casa com suas sacolas carregadas de frutas, legumes e verduras. Até que se tornou voz corrente e pessoas que minha mãe mal conhecia, vinham nos visitar com o único propósito de fazer a feira.


Certo dia minha mãe acabou se aborrecendo, pois afinal despendia boa parte do seu tempo trabalhando na chácara, numa destas visitas, enquanto tomavam chá com biscoitos na sala, minha mãe mandou que eu e meu irmão tirássemos, das sacolas já penduradas nas bicicletas, tudo o que haviam colhido  e colocássemos pedras no lugar. Meu pai  nunca mencionou nada sobre o ocorrido talvez nem tenha ficado sabendo. Com isto as visitas interesseiras diminuíram razoavelmente.


O nossos vizinhos mais próximos tinham a cota de racionamento liberada pois eram   alemães e o Sr Kresse que  não tinha uma  perna (por conta da  primeira guerra de 1914) trazia comida e outros ítens  as  escondidas para nossa  família  pois alemães simpatizantes de holandeses  eram severamente punidos. Os “Grüne Polizer” não tinham compaixão.


Os filhos foram intimados a servir na Alemanha e todos morreram no campo de batalhas ficando só  o velho casal , logo após o término da guerra foram expulso da Holanda, mandados para a Alemanha sem lenço nem documento

quinta-feira, 23 de junho de 2011

1922 – Dezembro- Nascimento Aleida

Adriaan Verhoeven trabalhava como chefe de departamento de Lâmpadas de Rádio na Philips de Eindhoeven, Holanda ( meu Pai )

Antonia Verhoeven tinha uma chácara em Nuenen onde morava sua família, plantava frutas, legumes e criava porcos ! ( Minha Mãe )

O Início de tudo !

Os meus pais se conheceram  logo depois da primeira guerra 1914. Ele era fiscal sanitário das industrias alimentares e minha mãe, filha de fazendeiro. O namoro não foi permitido, ele protestante ela católica. Não foi   problema para Adriaan   ele ficou católico e casou com ela.Foram morar em s´hertogenbosch,  capital de Noordbrabant,  uma província da Holanda. Nasceram Cees e Aleida. 


Houve um boom na industria eletrônica Philips em Eindhoven, e o meu pai logo conseguiu uma colocação como encarregado.
Com apoio da firma   compraram uma chácara e construiram a nossa casa, que ate agora esta inteirinha in Nuenen,  município 5 km de Eindhoven, 

Hoje começo a contar a historia da viagem da minha vida !

A Karla, minha filha que nasceu 1948 na cidade de Nuenen, Holanda acabou de criar este blog para eu divulgar e iniciar o romance que foi a minha vida

Na verdade Karla é o apelido o  nome oficial é karolina Johanna Maria Wyatt Vieira .......

Neste Blog vou postar passagens da minha vida,  desde a  infância, minha visão da segunda guerra mundial que marcou toda a adolescência, a vinda para o Brasil em 1950 ate hj, E agora depois de mudar aproximadamente 32 vezes, vivo em uma cidadezinha litorânea de Sao Paulo SAO SEBASTIÃO !!!